segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Relato de Dalete - moradora do Bairro Vila Guarani

Iniciou seus estudos do ensino fundamental em 1972 no Grupo Escolar Coronel Quirino Ferreira, sendo a única escola da região, em frente a a Igreja Paróquia São Judas Baptista, localizada na Av do Café. Dalete relata que a escola teve sua estrutura melhorada nos últimos anos, com a pavimentação das ruas, iluminação e segurança para os moradores. A implementação da linha do metrô, avanço no que se refere ao transporte público, facilitou o acesso das pessoas. Em 1985 iniciaram-se as construções do prédio do Banco Itaú e em 1992 as Instalações do Centro Empresarial do Aço, trazendo oportunidades de emprego para a população local. Estes dois fatos últimos citados são considerados deveras importante à Dalete, pois contribui imensamente para o desenvolvimento do bairro.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vila Guarani

Sua história é bem semelhante a de toda região onde está situada. O fato de o bairro ter sido ocupado predominantemente por chácaras e sítios ate a década de 50, a urbanização de fato é recente, sendo possível dividir a história do bairro em três fases de acordo com sua ocupação e crescimento populacional.
Até o século XX o desenvolvimento da região foi lento. O comércio limitava-se a pequenos estabelecimentos comerciais e olarias. A região era rota de comboios que se dirigiam ao matadouro de Santo Amaro. O transporte mais popular até metade do mesmo século era o bonde, cujo percurso ia ate o atual Aeroporto de Congonha, e durou até 1938. O bonde ainda voltou a circular durante a década de 50, tendo seu percurso estendido ate São Judas Tadeu, mas foi desativado após um lampejo de cinco anos de existência.
A distância do centro desenvolvido era o motivo principal para a baixa valorização dos terrenos da região, pois dificultava o acesso da população de diversos serviços e ate mesmo bens de consumo. Essa configuração do bairro mudou profundamente com a construção de dois grandes projetos: o Aeroporto de Congonhas e a Igreja de São Judas. A construção do aeroporto na década de 30 valorizou em muito a região, diversos loteamentos passaram a ser vendidos e habitados no seu entorno.
Esse desenvolvimento habitacional sofreu uma guinada com a construção da Igreja de São Judas Tadeu em 1940, atraindo muitos devotos que optaram por se instalar nos arredores da santuário, contribuindo expressivamente para o crescimento populacional. Foi nesse período que a Vila Guarani começou a formar seu primeiro grande núcleo de moradores fixos.
Em 1969 iniciaram-se as obras da primeira linha de trens subterrâneos da cidade. O metrô (abreviação de metropolitano) marcou como estação inicial da linha norte-sul um ponto do Jabaquara, o qual seria o terminal para manobra e estacionamento dos trens. A segunda estação da linha norte-sul, batizada de Conceição devido a estrada da Conceição que passava por onde a estação foi construída, foi fator de grande importância para o desenvolvimento do Bairro Vila Guarani. Concluída e inaugurada em setembro de 1974, a estação supervalorizou a região e atraiu moradores como nunca visto antes na história da Vila Guarani. Estudos da década de 1980 apontam que após um período de 10 anos de construção da estação Conceição, os imóveis da região sofreram uma valorização de ate 12,300%.
Apesar do desenvolvimento que o bairro passou, onde foram construídos prédios comerciais e centros empresariais, as características de um bairro residencial foram preservadas.

Terreiro Aché Ilê Obá

Caio Egydio de Souza Aranha fundou na década de 50 o Centro de Congregação Espírita , pai Jerônimo, no Brás. Por questões de saúde interrompeu suas atividades, retomando somente na década seguinte no Jabaquara. Neste novo terreiro, dedicou-se ao ritual caboclo, característico da Umbanda, e ao Candomblé, cuja iniciação aconteceu no terreiro Engenho Velho, aché de Tia Aninha – renomada Ialorixá da Bahia. Na década de 70, com um número muito grande de adeptos, pai Caio resolveu ampliar suas instalações, e com fundos arrecadados pela comunidade, construiu uma ampla sede para sua congregação, inaugurada em 1977.
Com sua morte em 1984, sua filha de Santo e sobrinha, Sylvia de Oxabá, o substituiu. O terreiro de Aché Ilê Obá está instalado numa área de 400m², com espaços reservados a cada Orixá ou famílias de Orixás, salas e ainda um grande espaço destinado às cerimonias privadas e festas públicas.

Quilombo Jabaquara

Em 1882, por iniciativa dos abolicionistas Américo Martins e Xavier Pinheiro, em reunião na casa de Francisco Martins dos Santos, decidira criar um quilombo na região do Jabaquara, mais especificamente, nos fundos da propriedade de Mathias Corte. Para manutenção da ordem do quilombo, foi indicado o nome de Quintino de Lacerda para líder. Este não era um guerreiro no sentido de Zumbi de Palmares, estava mais para um administrador, articulador entre o quilombo e a população local em torno, morreu rico deixando extensa listas de bens.
A população do entorno inclusive senhoras de bom nome, protegia o quilombo das investidas policiais para desintegra-lo. O quilombo acaba quatro anos depois de sua criação, junto com a abolição da escravatura em Santos, porém somente em 1988 com a lei Áurea, todos os escravos foram declarados livres no Brasil.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

História Jabaquara

Apesar do status de Distrito se relativamente novo, a ocupação da região do Jabaquara data do sáculo XVII. No arquivo da Biblioteca Paulo Duarte, há um Decreto publicado no Diário Oficial do Estado de janeiro de 1964 criando o distrito do Jabaquara. A denominação Jabaquara vem do Tupi-Guarani YAB-A-QUAR-A, que significa rocha e buraco. Nos tempos da escravidão a região era tomada por mata deserta, e servia de abrigo aos escravos foragidos das fazendas de engenho.

A região também era ponto de descanso para viajantes que se dirigiam à Santo Amaro e a Borda do Campo até inicio do século XVII. A partir dessa época a região começou a ser procurada por fazendeiros e sitiantes, que ali abriram estabelecimentos agrícolas e comerciais. Somente no final do século XIX a região se popularizou de fato, quando a administração do Município de São Paulo instalou um logradouro público – o Parque Jabaquara.

Um ponto histórico que compõe a história do distrito desde o século XVII é o Sitio da Ressaca. Construído no período colonial (a Casa data de 1719, ano inscrito na verga de sua porta principal), foi tombado em 1972, tornando-se patrimônio histórico. Em 1975 o Jabaquara é escolhida como região piloto para o projeto CURA (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada), e em 1978 restaura o Sitio da Ressaca. No ano de 1986 o sitio passa por uma novamente por obras de restauro, após um incêndio parcial. Foi ocupada de 1991 a 2002 pelo Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro. Atualmente abriga exposições que contemplam os fazeres e as manifestações da cultura popular.

A Casa do Sítio da Ressaca com construção de taipa de pilão (técnica de origem Árabe, muito utilizada no período colonial em São Paulo, foi amplamente utilizada pelos paulistas que, devido ao seu isolamento geográfico, dependiam essencialmente do barro como recurso para construção), possui algumas peculiaridades em relação aos demais exemplares de casas bandeiristas existentes na cidade de São Paulo: a assimetria de sua planta, um único alpendre não centralizado na fachada principal e o telhado de duas águas.

Seu primeiro proprietário foi Sargento Mór Lopes de Medeiros, passando por diversos donos permaneceu sua característica de Sítio até seu último proprietário, Antônio Cantarella - responsável pela urbanização do bairro do Jabaquara - que transformou o sítio em chácara, realizando seu loteamento em 1969. Esta modificação coincidiu com a chegada do metrô à região e a desapropriação de mais de um terço da área para instalação do seu pátio de manobras.

Entre 1886 e 1913 circulavam trens a vapor de uma pequena ferrovia que ligava a Vila Mariana a Santo Amaro, cujos trilhos foram implantados sobre uma via do antigo caminho do carro (antiga via que ligava São Paulo e Santo Amaro, atravessando os atuais Campo Belo e Brooklin). Até o final da década de 1920 toda área correspondente a administração Regional do Jabaquara (AR-JA) era escassamente povoada e apresentava características marcadamente rurais, apenas chácaras esparsas se destacavam em meio a extensas áreas não ocupadas.

Podem ser considerados como marcos iniciais do processo de ocupação urbana a abertura da auto-estrada Washington Luiz, ligando a Vila Mariana aos loteamentos suburbanos localizados na margem da represa do guarapiranga, bem como a instalação do Aeroporto de Congonhas em 1936.

Jabaquara, distrito a sudoeste do centro do Município de São Paulo, abrange os bairros: Parque Jabaquara, Vila Guarani, Vila do Encontro, Jardim Oriental, Vila Parque Jabaquara, Vila Santa Catarina, Vila Babilônia, Vila Paulista, Jardim Jabaquara, Cidade Vargas, Vila Faccine e Americanópolis.